ARQUIBANCADA

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A morte do imortal

Publicado por arquibancada em junho 21, 2007

 

Houve um tempo em que se acreditava na imortalidade. Eu vivi esse tempo e também pude acompanhar a transformação desta crença, a quebra deste mito. Nunca imaginei que a história contada hoje, sobre o Minotauro, o Hércules e a Medusa iria muito além do território grego e da perigosa ilha de Creta. Ao sul do novo mundo, muito longe do velho continente, também existia um povo que se dizia imortal.

Seriam eles deuses? Não. Apenas pessoas cujo quais acreditavam fervorosamente nesta tese. Além de comungarem com a idéia de vida eterna, este povo sempre quis ser diferente do resto da população do país. A América do Sul estava em guerra, até alguns mexicanos tentaram, sem sucesso, triunfar. O curioso é que este povoado, até então imortal, fazia parte do território brasileiro, porém, renegava às origens do país que o abraçou. Os imortais preferiram seguir tradições argentinas, logo da nação mais detestada pelo Brasil.

Os cantos e as festas desta minoria, que havia renegado seu país para imitar o rival, eram embaladas pelas mesmas músicas e estilos dos vizinhos e inimigos argentinos. Certo dia, pude ouvir inclusive canções cantadas no idioma castelhano. A guerra, sem dúvida alguma derramava muito sangue, a tão falada raça estava se confundindo com violência e a confiança pela vitória se fundia a arrogância e a prepotência.

Esta desgarrada e pequena nação foi batizada de Grêmio. O Brasil saiu da guerra, pois os “traidores” haviam vencido o povoado santista. Assim, os gremistas disputariam a América com um povoado da Argentina, os Boca Juniors. O mundo parou e pensou que ali se realizaria uma briga de compadres e que tudo terminaria em pizza, haja vista a grande admiração da parte desagregada do Brasil pelos argentinos. Quem pensou desta forma estava enganado.

Os Bocas não tiveram compaixão alguma, nem mesmo pelo fanatismo dos ex-brasileiros pela cultura castelhana. Todo sangue que havia sido espalhado durante o período da guerra foi derramado em dobro naquela única batalha, a batalha final. Até então, nada de assustador tinha sido apresentado pelos gringos. As tropas gremistas avançavam com faixas escritas “Jamais nos matarão”, e eu falava para mim mesmo “se são imortais é claro que nunca vão matá-los, que frase tola”.

O dia de conhecer o novo dono de nosso continente chegou, todos estavam apreensivos, até que as tropas inimigas se encontraram. Olhares atentos, suor escorrendo pela face, garganta seca e apenas dois segundos para o início do massacre. Gritos de “vamos lá”, em espanhol, foram dados de ambos os lados. De longe parecia uma boa briga entre estrangeiros. A mim pouco importava, pois já tinha lutado pelo país e estava do lado de fora, só queria saber do resultado final.

Vou falar a verdade, a briga já estava ficando ruim, sem sal. Mas, de dentro de uma doce caixa de bombons eis que surge um gigante. Apavorei-me, não sabia para onde correr. Em princípio as pessoas o chamavam de monstro, um corre-corre danado acontecia ali, mas, logo consegui me esconder em um local de onde não perdia um detalhe sequer da confusão. Minutos depois passaram a chamar a criatura de Megatone 10, pois, era o que estava escrito na camisa azul e amarela que ele vestia.

Megatone 10 devastou o povo gremista. Matou o que seria imortal. No outro dia as notícias davam conta de que o monstro chamava-se Riquelme. Eu que não era muito fã de mitologia passei a respeitar um pouco mais esta parte da história. Aprendi a não brincar com fogo. O que o gigante da caixa de bombons fez foi arrasador, mas, será que Riquelme matou o imortal ou apenas desmascarou uma farsa?

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